BCAAs, funcionam ou não?

Há anos, a suplementação com aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) é considerada uma estratégia interessante entre treinadores com o objetivo de melhorar a recuperação muscular de esportistas submetidos a diferentes tipos de treinamento.

Porém, do ponto de vista científico, os benefícios da utilização dos BCAA´s em praticantes de atividade física ainda são controversos. Analisando grande parte das publicações científicas, é possível falar tanto mal, quanto bem, acerca da suplementação dos aminoácidos de cadeia ramificada. Alguns autores afirmam que a utilização dos BCAA´s é efetiva para a manutenção de massa magra em indivíduos submetidos a dietas restritivas e engajados em um programa de treinamento intenso. Como por exemplo, o trabalho Shimomura et al., que avaliou os efeitos da suplementação com 5,5g de BCAA 15 minutos antes de realizar um exercício de agachamento (7 séries de 20 repetições). Os autores observaram diminuição no sentimento de dor muscular (2 a 5 dias após o exercício) no grupo controle quando comparado ao placebo.

Em contrapartida, diversos outros autores citam que a suplementação destes aminoácidos seria, para aqueles que ingerem a quantidade adequada de proteína ao longo de todo dia, o mesmo que “chover no molhado”, afirmando ainda que seu uso apenas seria justificado por parte de indivíduos portadores de algumas patologias.

Minha conduta no consultório acerca da prescrição dos BCAA´s é sempre mediada entre a ciência e o feedback de meus clientes. Por diversas vezes, observei grande melhora tanto no tempo de recuperação muscular quanto na energia de atletas de alto rendimento submetidos à suplementação destes aminoácidos.

Embora feedback positivo e pesquisas recentes apontarem que os marcadores bioquímicos de dano muscular são reduzidos após a suplementação com BCAA, ele não reflete melhora da função muscular (pelo menos em estudos de curto prazo). Estudos futuros devem utilizar como parâmetro a suplementação crônica de BCAA (e de outros aminoácidos) para avaliar o possível impacto sobre a funcionalidade muscular e relacionar esses efeitos com as vias moleculares envolvidas no reparo muscular e regeneração.

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